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  • Foto do escritorNelson Yokota

Desafios causados pela crise climática no Brasil

Atualizado: 7 de jun.

Ilustrando uma espécie de nova normalidade, a sociedade contemporânea experimenta hoje mudanças climáticas as quais teremos que aprender a conviver, e para além disso realizar urgentemente transformações no que modo de vida que conhecemos.



Realizada pelo Instituto Pólis no final de 2023, uma pesquisa sobre alterações climáticas afirma que 7 em cada 10 brasileiros já passou por algum tipo de evento emergencial relacionado às emergências do clima. Perante as circunstâncias, é necessário o entendimento do que precisa ser feito a respeito, como por exemplo entender que os grandes centros urbanos são um dos principais responsáveis pelas alterações. E de que forma pode-se reverter o caos climático, visto que 85% da população brasileira vive nessas grandes cidades. Planos de redução de impacto climático devem ser pensados em duas frente que se complementam.

A adaptação que consiste em mudanças na paisagem urbana, como maior implantação de áreas verdes, ocupação do solo e consequente drenagem das chuvas. E também a mitigação, que compreende na aplicação de estratégias na redução de gases de efeito estufa (GEEs). Por mais que nos últimos cinco anos grande parte das cidades brasileiras tenham adotado algum tipo de estratégia eco sustentável em seu plano ainda não é o suficiente. Entre as ações adquiridas pelas capitais pode-se observar a adoção do sistema de transporte público utilizando veículos elétricos. Curitiba, São Paulo e Salvador tem destaque nesse cenário e todas tem planos de metas para aumentar ainda mais as frotas de circulantes nessa classificação até 2030. Esse tipo de medida reduz a emissão de GEEs e se provou ser mais eficiente do que o foco em veículos individuais.



Pensando ainda na linha de mitigação, uma estratégia muito eficaz é a requalificação dos centros das cidades e a concentração de residências. O urbanista e professor Carlos Moreno associado da Paris IAF, Panthéon Sorbonne University (França), trabalha bem essa proposta em seu conceito Cidade de 15 Minutos. O planejamento crono-urbano consiste no conceito de que os moradores de uma cidade estejam a 15 minutos de todas as funcionalidades de sua rotina, ou seja, entre os deslocamentos casa, trabalho e serviços essenciais. Segundo o estudo, diminuindo os percursos, menos transportes são necessários, tornando os bairros mais “vivos” e participativos. O idealizador da iniciativa cita dois bons exemplos de sua pesquisa, Paris por exemplo desde 2019 adotou os preceitos e se tornou referência prática para outros centros urbanos. No Brasil o Rio de Janeiro com seu programa Reviver Centro resultou na recuperação e criação de 1.317 unidades de habitação entre 2021 e 2022 e continua a crescer.


planejamento Cidade de 15 minutos em Paris
















De acordo com dados da C40 (Grupo de Grandes Cidades para a Liderança Climática) 90% dos desastres globais estão relacionados ao olhar para as águas das grandes cidades. Segundo a organização, evitar maiores eventos climáticos extremos significa fazer as pazes com a natureza. Renaturalizar centros urbanos permitindo que áreas verdes e azuis integrem de forma definitiva a infraestrutura urbana dedicada a contenção, regulação e drenagem das águas. Essa é a essência do projeto Cidade Esponja criado pelo arquiteto paisagista Kongjian Yu, cuja equipe do escritório Turenscape desenvolveu mais de 250 projetos na proposta. A ideia é reter e dar mais espaço à água no local, desacelerando o fluxo e adaptando os diferentes níveis de água, integrando áreas verdes, sistemas inovadores de gestão de água e solos permeáveis.


Rio Wujiang em Zhejiang, na China, com as margens recém reformadas

No Brasil um conceito parecido vem ganhando notoriedade, denominado SBN (Soluções Baseadas na Natureza). Desde um telhado verde em uma edificação até mais de 200 jardins de chuva instalados em São Paulo, com a finalidade de reduzir enchentes. Um bom exemplo de SBN é o Parque Orla Piratininga em Niterói (Rio de Janeiro). Com mais de 35 mil metros quadrados de jardins filtrantes e mais de 10 km divididos entre ciclovias área de lazer, esporte e apoio à pesca artesanal. Projetos assim demonstram que já passou da hora de aplicar e inserir serviços ecossistêmicos nas cidades, como proteção e reparação de danos enquanto ainda há tempo.


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